No Natal

No velho país com muitos sonhos por cumprir o Natal amanheceu cinzento, tinha chovido na noite. A noite fora calma por aqui. Por esse país pobre os cheiros das ausências de afeto e de tudo. A solidão dos cérebros inquietos. A camada leve de verniz cobre a desventura de sonhos antigos. Aqui trago guardados os meus passos para caminhar ao lado dos teus, das palavras que tenhas para mim nesse olhar brilhante.

Cais de Pedra

Cais de Pedra

Nos caminhos da vida acontecem partidas, momentos, chegadas, e caminhos muitos caminhos. A saudade, a nostalgia de momentos que tardam em acontecer nestas estações humanas do sentir. Os olhos brilhantes naquele parque de estacionamento, nesta época de tudo e de nada, Acredito no contacto do olhar, é ele que nos diz e nos faz o sentir. A vida rápida e virtual é apenas uma falácia com que o rapace ilude o coelho. Mas o olhar das partidas e das chegadas, enquanto o momento não chega de novo, faz -nos sentir…

Comboio do tempo

Comboio do Tempo

A linha de caminho irregular e sinuoso, a máquina abranda nas pontes, deixamos de ver o que quer que seja nos túneis, os rios e as montanhas.

A vida na janela do comboio que passa rápida, sinuosa, . As sombras , nós e os outros, sempre o tempo, o correr de cortinas, aquilo que nos empurra doce ou abruptamente. Os cais de desembarque as saudades de que não gostas. Por mim gosto de as sentir, no pensamento, na pele por vezes nas lágrimas salgadas que insisto em sentir com intensidade. O vento frio que me corta o rosto quando ouso espreitar na janela do comboio. Hoje não te vi, não deixaste sentir a tua pele na minha. Quem sabe do alto das muralhas alguém com saber que só o tempo dá, com cabelos brancos que ondulam ao vento te diga que estive tão perto….