As pedras soltas e a multidão

As pedras soltas e a multidão

O tempo passa, e tem marcos e marcas seguras da sua passagem. Não entendo nem badaladas, nem relógios, nem as eufóricas corridas da moda alimentar ou outra de supermercado. Vai passar algo como passam tantas outras coisas e pronto. A águia e o lobo da serra vão passar igual. O mundo e em especial as cidades incluem nas suas colmeias gigantes, seres que são solitários todos os dias do ano e não só este. Cada vez mais, existem seres humanos que pelas mais diversas razões, passam um ano após outro sós, no seu próprio mundo que não se compadece com badaladas e com relógios que a vida entretanto nos foi concedendo. Nas grandes cidades, muitos continuam a dormir na rua, no frio , vento e chuva que as multidões ou apenas aqueles que controlam os diversos poderes não conseguem fazer entender o porquê. Creio que, uma lei das sesmarias moderna poderia eventualmente fazer o que a antiga e primitiva não conseguiu. Hoje, amanhã e depois gostaria de ver um sorriso nesses seres sós, pedras soltas numa multidão, cada vez mais, gostava de os ver sorrir . Partilhar cada momento doce de cada dia não só o de certas épocas. A partilha séria do que é ser feliz, que cada onda do mar lhes traga um raio de sol por aconchego.

As partidas na Estrada da Vida

As partidas na Estrada da Vida

A vida tem todos os dias as partidas, as chegadas , os sonhos , os momentos. No caminho escuro e sinuoso, entre a lama e o nevoeiro salpicado negro de um inverno. Partiu um coração grande, cheio de vida. A dureza a que o mundo nos sujeita e transporta, ali tão perto a estrada que conduz a todos os caminhos. Passei vi o escuro de breu, os salpicos chorosos de uma lama que chegou faz pouco. A força do teu coração alegre que vai brilhar dia e noite, recordar cada vez que passar naquela estrada… Ontem fui vim e não te vi .

Foi Natal

Foi Natal

Caiu a noite, passou o tempo, as nuvens e a chuva miudinha diluem o doce. A vida amanhã continua. Nada vai voltar a ser como dantes, as recordações singelas da lareira campestre sem luz elétrica, as histórias nas mãos cheias de azeite dos que partiram. A noite lembra o dia, saudade, nostalgia um porto de abrigo, um ombro. Hoje não encostei a cabeça no teu peito, não ouvi as batidas ritmadas, não vi o teu olhar de brilho e caminho que me falta….trilhar.