O Coração, o Sol e a Caverna

O Coração , O Sol e a Caverna

A manhã estava fria, o brilho  de sol apenas disfarçava e o encorajava a caminhar enquanto subia a ladeira. Os terrenos brancos revelavam os dedos da noite , e enquanto conduzia lembrou-se do frio, do repentino frio da água do duche . Agradecia mais aquele dia à mãe terra, passou pelos pedaços de floresta queimada, agora disfarçados de um branco sentido no tempo. A vida de vagabundo dera- lhe a conhecer  terras, momentos , pessoas. A sua vida tinha sido e estava a ser duas coisas: A noite e o dia… Gostava do sol do dia, do sol de um sorriso, de corações que palpitam e nos fazem avançar e ser felizes nos pedaços de cada minuto. Quando chegava a tarde, era coisa nenhuma, percorria o caminho, conduzia lentamente, com receio de perder algum pedaço de luz. A noite caía silenciosa e fria, subia a escadaria para a sua caverna solitária onde não havia sol, nem corações palpitantes. As sombras dos fantasmas noite após noite desfilavam e ele apenas ia vendo fios da história, representados na parede branca entre a claraboia e o céu cinzento e triste. Não sabia quem eram, alguns tinham cabelos brancos caminhavam lentamente, apoiavam-se nos pedaços do tempo que lhes ia servindo de bengala. Outros vinham corriam, com toda a velocidade da vida, eram de agora, mas esses também não tinham coração. Era noite ainda…