Na Floresta do Sonhos

Na Floresta do Sonhos

Anoiteceu na floresta, pequenos bancos de nevoeiro começam pouco a pouco a levantar se. Os ruídos da noite surgem pouco a pouco, vão aumentando de intensidade, lentamente.  As árvores, a vegetação e até os cursos de água assumem formas diferentes. Ali tudo se encontra e tudo se perde. A noite é princesa, rainha e a sua mão escura manda nos homens. Por ora não se vê ninguém. Na noite da floresta tudo acontece. No dia seguinte com os alvores da manhã, só podemos imaginar. Lá longe onde se perdem sonhos e tempos.

Solta do tempo, no meio da floresta uma clareira, envolvida por nuvens sombrias. Perdido  entra na clareira, fica encantado por todos os sonhos que em enormes bolas brilhantes ali deambulam. Uma melodia o envolve passo após passo, sente que mãos de orvalho lhe acariciam os cabelos. Sente a cada passo o toque dos sonhos. Mas não consegue ver ninguém.

A sombra doce que com os seus braços o envolve, do seu abraço ouve a serra e o mar, o dia e anoite de veludo que o deita e acolhe no seu regaço.

Envolvidos num só repousa e murmura apeteces me…

No Sítio onde os Lobos uivam

No Sítio Onde os Lobos Uivam

Sempre tinha ouvido dizer que que quando sonhamos três vezes com um local devemos procurar ir sem dizer nada a ninguém. Ao chegar sozinhos devemos escavar que ali encontramos um tesouro .

Histórias de Mouras encantadas e cavernas com passas que se transformam em ouro como as pequenas pepitas que encontramos na beira de caminhos da vida.

Para ele o sonho fora intenso o sítio do sonho parecia identificar e a ideia não deixou de o atormentar durante todo o dia …. mas era um tormento doce intenso que lhe dizia vai …..

Como no sonho deixou aproximar a tarde, preparou no termo o café forte para a jornada e foi como no sonho …. que é da vida sem sal …..

Percorreu a estrada com mil ideias … que iria encontrar precisamente naquele local , mas o sonho era claro empurrava o docemente quilómetro a quilómetro.

Desceu a rampa íngreme , percorreu os últimos pedaços de sol, viu as duas montanhas do sonho, depois o ribeiro, passou para uma estrada de pedra

Os pequenos solavancos do carro faziam de novo pensar…. o que estaria por ali. Tinha a certeza era mesmo aquele o sítio.

Parou, saiu do carro o manto doce da noite pedaço a pedaço envolveu o doce, forte, intensa. Sentiu que devia esperar. O vento frio e o sonho chegaram e deram as mãos. Ouvia os pequenos ruídos da natureza. Na estrada avistou um carro, parou ao lado do seu. Saiu um vulto escuro, ouviu a porta a bater.

Ela aproximou se …

-cheguei  o caminho foi longo

Caminharam sem uma palavra, sentaram-se, ele abriu o termo do café gole a gole partilharam na velha caneca de barro a história do sonho ao mesmo tempo que aqueciam as mãos .

Ao longe um bater de dentes depois outro ouviram juntos os lobos a uivar… tinha chegado o momento….

Ao Fundo Tempo

Ao Fundo dos Tempos

O caminho e as veredas da vida, cada pedaço de sonho. O cavaleiro seguia a linha do tempo a cada momento, passou por ribeiras e desfiladeiros. Caminhava dias a fio, momentos e tempos como que guiado por palavras doces. Por vezes deixava a sua montada ir livremente, fechava os olhos e conseguia ver os olhos dela. Tinha sido um mensageiro invisível no tempo que lhe entregara aquela missiva, num pergaminho de que conheceu o cheiro , o toque, como se aquela pele escrita tivesse já tocado nas suas mãos. Não estava perdido mas caminhava faz tempo, nos tempos. Agora sentia de novo aquela sensação, era por ali. Avistou a casa de pedra ao fundo do vale, da chaminé o odor quente e inebriante da bebida quente da vida. Caminhou os restantes metros na nostalgia, no cais de pedra que a vida tem.

A porta abriu-se … esperava por ti… foram as palavras. Entregou-lhe o rolo de pergaminho, levemente a sua mão tocou a dela olhou a no fundo dos olhos.

Era o momento e ele murmurou as palavras

Beijo com terra e sal…abri o livro acendei a vela e segurai a espada…. vamos procurar o caminho…