Acreditar no tempo

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Era uma situação nova, era sentir, era pensar em cada momento. Algo nela o tinha tocado. Isto nunca lhe tinha acontecido, o tempo na sua vida também não era assim tão fácil de gerir. Trocava mensagens com ela, por vezes ficava impaciente na espera da resposta. Isto não lhe estava a acontecer, ele que pensava ser tão seguro de si. Um misto de gostar e de revolta pois não estava a controlar o seu sentir, o desejo de cada contacto com ela era crescente, uma vontade forte de a ver, dizer o que ficou por dizer, tocar a sua pele, sentir o seu perfume. Trocavam mensagens várias vezes ao dia. Crescia uma vontade tremenda do próximo encontro real. Foram falando do que gostavam e também de lugares bonito. Ele conhecia sítios bonitos por via da sua experiência meio nómada de ano após ano os ter percorrido. Numa mensagem arriscou, sugeriu que podiam ir ficar a um desses locais com serra água e sentir. Ela aceitou, ele sentia cada dia que passava uma vontade mais forte de a ver. Combinaram, ela ia ter com ele e depois saiam os dois no carro dele.
A menina chegou trazia o seu saco de viagem que colocaram no carro dele. Estava feliz, sensações novas e fortes percorriam o seu ser, conduziu para destinos que conhecia de outros tempos, não tinha marcado nada, tinham combinado ficar apenas uma noite. Estradas secundárias e caminhos no meio do nada…iam conversando, uma cumplicidade estranha e doce crescia. Chegaram a um sítio escarpado que descia para um vale grande onde se podia ver um belo espelho de água. Caminharam até perto da água, pararam numa esplanada de onde se podia ver a água e as escarpas até ao infinito, pediram cafés e conversaram, os olhos cúmplices encontravam-se a cada momento. O fresco da tarde começou a cair, subiram lentamente a pequena encosta, no meio de castanheiros, caminhavam devagar, por vezes sem as palavras, ele voltou se, olhou a nos olhos e beijou – a, leve doce, repetidas vezes. A menina fez um sorriso brincalhão, estava à espera daquele beijo. Ali perto estava uma residencial com diversos autocarros estacionados, ouvia-se música. Não poderiam ficar ali. Consultam os telemóveis, ligam, precisam arranjar sítio para comer e pernoitar, estão no meio do nada. É noite, chegam a uma aldeia perdida, com dificuldade encontraram o alojamento rural. Entram num pequeno estúdio feito em xisto, nada de especial mas agradável. A menina conversa descontraidamente, abre a porta que dá para um jardim, fuma um cigarro, juntos olham as estrelas, a noite é deles. A cama fica no centro perto de uma lareira, ela surge com uma camisa de dormir branca, deita se ao lado dele. Conversam, estão muito próximos…beijam-se leve, tocam-se com carinho. Percorre o corpo dela, ternamente, sente coisas… novas, fortes intensas. Ela retira as peças de roupa que ainda lhe cobrem o corpo. Sente a pele dela macia, sedenta de si.
Envolve o seu corpo num só, sente cada pedaço de pele nos seus lábios, cada momento.
Respiram, doce, lenta….apressadamente. Olham se nos olhos sedentos de vida…e envolvem-se no sonho .

 

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