Imaginei o Rio

Imaginei o Rio

Imaginei o rio, a ponte, a esplanada  o sabor do café, o teu cabelo  e … olhar o fundo dos teus olhos. A margem onde te encontrei, onde por vezes te encontro e onde te quero encontrar.

Hoje ao ver o nevoeiro do caminho pensei tudo de novo. Tudo mesmo … o que dizemos um ao outro e também o que pensámos e não dizemos. Sabes hoje ouvi de novo uivar os lobos, imaginei a varanda o arvoredo. As sensações estranhas de sentir. Vi a corrida desenfreada do teu pensamento, vi me lá e gostei. Depois veio a calma, a cadeira, a mesa, o frio doce da noite, a chávena fumegante e o cheiro do café. Aquele frasco de café cheio de histórias que gostas de trazer.

Tu sabes os lugares e aquele lugar fala comigo em cada recanto por explorar. Quando fico calado entendes estarei a conversar com cada lugar. Os teus olhos também me contam cada passo antes dos teus lábios com aquele sabor a café.

Esqueci de escrever no Tempo

Esqueci de Escrever no Tempo

Ele adormeceu aconchegado, tinha visto antes uns olhos meigos que o faziam pensar em cada momento que passava. Nos dias que se seguiram de manhã perdeu-se no tempo de uma outra forma. Afastou lentamente o edredon, deixou as gotas de água  percorrerem o seu corpo. Olhou a nos olhos da manhã, sentiu o sabor doce e amargo do café da manhã com a água da vida ali e em cada minuto na chama de um fogo, lume que o consumia e tocava o peito no sítio certo. Um beijo doce, o caminho com farrapos de um nevoeiro . Até o frio era mais doce e a tinta deixou por momentos de correr no papel . A mão a pena e o papel ficaram por momentos perdidos naquele beijo…

As pedras soltas e a multidão

As pedras soltas e a multidão

O tempo passa, e tem marcos e marcas seguras da sua passagem. Não entendo nem badaladas, nem relógios, nem as eufóricas corridas da moda alimentar ou outra de supermercado. Vai passar algo como passam tantas outras coisas e pronto. A águia e o lobo da serra vão passar igual. O mundo e em especial as cidades incluem nas suas colmeias gigantes, seres que são solitários todos os dias do ano e não só este. Cada vez mais, existem seres humanos que pelas mais diversas razões, passam um ano após outro sós, no seu próprio mundo que não se compadece com badaladas e com relógios que a vida entretanto nos foi concedendo. Nas grandes cidades, muitos continuam a dormir na rua, no frio , vento e chuva que as multidões ou apenas aqueles que controlam os diversos poderes não conseguem fazer entender o porquê. Creio que, uma lei das sesmarias moderna poderia eventualmente fazer o que a antiga e primitiva não conseguiu. Hoje, amanhã e depois gostaria de ver um sorriso nesses seres sós, pedras soltas numa multidão, cada vez mais, gostava de os ver sorrir . Partilhar cada momento doce de cada dia não só o de certas épocas. A partilha séria do que é ser feliz, que cada onda do mar lhes traga um raio de sol por aconchego.